Entrevista de emprego teria sido usada como armadilha em crime encomendado por pastor contra a ex-nora
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Entrevista de emprego teria sido usada como armadilha em crime encomendado por pastor contra a ex-nora

Polícia Civil apontou pastor como mandante da morte da ex-nora em 2019; ele foi condenado a 17 anos em São Paulo

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias15/07/2026 às 11:55

Entrevista De Emprego Teria Sido Usada Como Armadilha Em Crime Encomendado Por Pastor Contra A Ex-Nora
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal - Facebook

O assassinato de Mirele Peixoto Souza, de 22 anos, ocorrido em janeiro de 2019, alcançou repercussão nacional devido à frieza atribuída ao planejamento do crime.

O que inicialmente parecia ser uma saída rotineira para uma entrevista de emprego terminou em uma emboscada premeditada, conforme concluiu a Polícia Civil.

Nos dias seguintes à localização do corpo da jovem em uma região de mata de Mogi das Cruzes, os investigadores apontaram que o homicídio havia sido cuidadosamente planejado pelo ex-sogro da vítima, o pastor Adir Neto Teodoro, ligado à Assembleia de Deus Ministério do Belém.

Segundo a apuração, ele teria contratado o próprio sobrinho para executar Mirele. Anos depois, veículos de imprensa noticiaram a condenação do religioso pelo Tribunal do Júri.

Mirele saiu de casa para um encontro

Na manhã de 15 de janeiro de 2019, Mirele deixou a casa da família informando que participaria de uma entrevista de emprego no bairro do Tatuapé, na cidade de São Paulo.

A justificativa não causou preocupação entre os parentes, que desconheciam a verdadeira finalidade da saída. De acordo com a Polícia Civil, entretanto, a jovem havia marcado um encontro com o ex-sogro, Adir Neto Teodoro. Os dois foram até uma loja de conveniência localizada às margens da Rodovia Ayrton Senna, onde permaneceram conversando aparentemente sem qualquer conflito.

As gravações feitas por câmeras de segurança tornaram-se elementos importantes para o avanço da investigação. Nas imagens, Mirele aparece caminhando ao lado do pastor sem demonstrar medo, desconfiança ou resistência. Para os policiais, ela não sabia que estava sendo conduzida a uma armadilha.

Aproximadamente 26 minutos antes de a jovem e Adir chegarem ao local, outro automóvel estacionou no mesmo posto de combustíveis. Dentro do veículo, segundo a polícia, estava Abraão Rodrigues Silva, sobrinho do pastor.

As imagens registraram Abraão entrando rapidamente na loja de conveniência, conversando pelo celular e, logo depois, retornando ao automóvel. Pouco tempo mais tarde, quando Mirele e o pastor saíram do estabelecimento, o carro dirigido pelo sobrinho começou a acompanhar o veículo em que eles estavam. Para os investigadores, a movimentação não ocorreu por acaso.

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A apuração também revelou que Adir havia alugado um carro especialmente para aquela ocasião, mesmo possuindo dois veículos registrados em seu nome.

A Polícia Civil concluiu que o automóvel alugado teria sido utilizado para dificultar a identificação dos suspeitos e reduzir as chances de ligação entre o pastor e o crime durante as investigações. O delegado Rubens José Ângelo descreveu o homicídio como uma ação previamente planejada.

“O crime foi totalmente premeditado. Foi totalmente maquinado, construído na mente do indiciado Adir”

Horas depois do encontro, Mirele foi localizada morta em uma área de mata às margens da Estrada do Taboão, na zona rural de Mogi das Cruzes.

A jovem havia sido atingida por disparos efetuados à queima-roupa na região da nuca. O corpo foi encontrado sem os documentos pessoais, enquanto o telefone celular não estava no local. Diante das condições da cena, a polícia concluiu que a execução aconteceu naquela área e que o corpo foi deixado entre a vegetação.

O desenvolvimento das investigações resultou na prisão temporária de Adir Neto Teodoro em 23 de janeiro. Durante o interrogatório oficial, o pastor exerceu o direito de permanecer em silêncio. Entretanto, conforme declarações informais relatadas pelos delegados, ele teria afirmado que Mirele estava “infernizando” sua família.

Os investigadores também disseram que Adir alegou ter se sentido “obrigado a eliminá-la”, embora tenha negado formalmente qualquer envolvimento no assassinato.

“Eu não fiz nada, eu não pratiquei nada, eu não matei ninguém.”

Apesar da negativa, a Polícia Civil sustentou que as provas reunidas apontavam Adir como o mandante do homicídio. Cerca de um mês depois, os investigadores identificaram um segundo suspeito.

Após a quebra de sigilos telefônicos e a realização de interceptações autorizadas judicialmente, Abraão Rodrigues Silva foi apontado como o responsável pelos disparos. Conforme o delegado que conduziu o caso, o pastor teria admitido informalmente que contratou o sobrinho para “dar um susto” na ex-nora, em troca de uma quantia em dinheiro cujo valor não foi esclarecido.

Ainda segundo a investigação, Abraão teria ido além do plano inicialmente relatado e assassinado Mirele com três tiros na nuca. Na ocasião, a Justiça decretou sua prisão temporária, e ele passou a ser considerado foragido. Mesmo após a identificação dos suspeitos, a motivação exata do crime continuou sem uma explicação definitiva. Uma das hipóteses analisadas envolvia conflitos familiares decorrentes do término do casamento entre Mirele e o filho do pastor.

Mirele e o ex-marido haviam morado juntos por aproximadamente dois anos. No período do assassinato, eles estavam separados havia cerca de seis meses e tinham uma filha pequena.

A Polícia Civil, contudo, afirmou que nenhum dos investigados esclareceu de maneira conclusiva o que teria provocado o crime. O delegado Rubens José Ângelo classificou a motivação como obscura.

“O motivo continua nebuloso. Deve ser algum motivo obscuro de cunho pessoal entre Adir e a nora”

Pastor foi levado ao Tribunal do Júri

Quatro anos depois do assassinato, Adir Neto Teodoro foi submetido a julgamento. Em março de 2023, diferentes veículos de comunicação de São Paulo informaram que o pastor havia sido condenado a 17 anos e quatro meses de prisão por homicídio qualificado, reconhecido como feminicídio e cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de ocultação de cadáver.

A sentença divulgada também teria determinado que o religioso permanecesse preso, inicialmente em regime fechado. Apesar das notícias sobre o resultado do julgamento, a reportagem informou não ter obtido confirmação oficial da condenação. O CORREIO procurou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para confirmar os dados da sentença, mas não recebeu resposta até a publicação do conteúdo.

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