Júri aponta legítima defesa e absolve mulher acusada de matar marido
São Paulo
29°C 18°C
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Dólar R$ 5,110 +0,54%
Euro R$ 5,895 +0,36%
CLUBE OS

Júri aponta legítima defesa e absolve mulher acusada de matar marido

Mulher acusada de matar o marido foi absolvida após o júri reconhecer legítima defesa. Entenda a decisão e os detalhes do caso

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias10/08/2026 às 16:16 10/08/2026 às 16:19

Júri Aponta Legítima Defesa E Absolve Mulher Acusada De Matar Marido
Foto: Reprodução / Câmeras de segurança

O Tribunal do Júri absolveu uma mulher de 38 anos que respondia pela acusação de matar a facadas o marido, Leonardo Lira Andrade de Lima, de 29 anos. O crime aconteceu no Parque das Laranjeiras, em Mogi Mirim (SP), em outubro de 2025.

No julgamento realizado na última terça-feira (4), os jurados entenderam que Izabelle Freitas Lima da Silva agiu em legítima defesa. Durante o processo criminal, ela afirmou ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas praticadas pelo companheiro, que seria dependente químico.

Um exame necroscópico elaborado pela Polícia Científica também detectou cocaína no sangue de Leonardo horas depois do homicídio. O resultado foi mencionado no processo como um dos elementos que corroboraram o relato apresentado pela acusada.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) ainda pode recorrer do resultado caso considere que a absolvição não encontra respaldo nas provas reunidas. Em julgamentos nos quais é reconhecida a legítima defesa, entretanto, existe a possibilidade de o recurso não ser admitido.

Em nota, os advogados de Izabelle afirmaram que ela “vivia uma relação marcada por agressões, ameaças e controle” e que a investigação “concentrou-se na autoria, rapidamente esclarecida pelas imagens, sem reconstruir de forma completa os momentos que antecederam o acontecimento” — confira a manifestação completa abaixo.

Entenda como o caso aconteceu

Conforme o relato da Polícia Militar (PM), Izabelle teria dito inicialmente que seu companheiro, de 29 anos, havia sido atacado durante uma briga com outra pessoa. Imagens registradas por uma câmera de segurança, porém, contrariaram a versão apresentada por ela.

Ainda de acordo com a PM, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já prestava atendimento à vítima quando os policiais chegaram ao endereço. Leonardo teve a morte confirmada no próprio local e apresentava ferimentos profundos nas regiões do pescoço e do tórax.

A corporação declarou que a esposa permanecia sentada na calçada e contou que ela e o marido teriam se envolvido em uma confusão com uma pessoa surpreendida furtando uma construção. Segundo a versão inicialmente relatada, “o homem teria ferido seu esposo e fugido”.

Enquanto os agentes aguardavam a chegada da perícia, o proprietário de um estabelecimento próximo entregou à Polícia Militar gravações da câmera de monitoramento. Conforme a corporação, as imagens permitiram identificar que Izabelle desferiu os golpes e que nenhuma terceira pessoa participou do episódio.

As gravações foram utilizadas contra Izabelle no decorrer de todo o processo criminal. Com base no conteúdo do vídeo e nos depoimentos fornecidos pelos policiais, o Ministério Público ofereceu denúncia por homicídio contra a mulher.

Relatos de violência mudaram o rumo do processo

Durante o andamento da ação criminal, Izabelle declarou que era vítima frequente de agressões físicas e psicológicas cometidas por Leonardo.

Na manhã do dia em que o crime ocorreu, o casal teria visitado a residência da mãe da acusada. Nesse endereço, Leonardo teria derrubado Izabelle no chão e pressionado o joelho contra o pescoço dela.

Após os dois retornarem para casa, ele teria exigido dinheiro para comprar drogas. O casal seguiu junto até um ponto de venda de entorpecentes e, na volta, Leonardo teria consumido drogas e ingerido bebida alcoólica, tornando-se ainda mais agressivo com a companheira.

Por volta das 18h, Leonardo decidiu ir a uma adega localizada perto da residência, e Izabelle o acompanhou. Durante o trajeto, ele teria começado a afirmar que iria “beber o sangue dela”.

A declaração deu início a uma briga e, temendo pela própria vida, ela golpeou o marido com uma faca, provocando sua morte.

A narrativa apresentada por Izabelle recebeu respaldo de testemunhas e do laudo necroscópico produzido pela Polícia Científica. O documento confirmou a presença de cocaína no sangue de Leonardo.

Júri acolheu a tese de legítima defesa

O julgamento foi realizado na terça-feira (4), quando o Conselho de Sentença reconheceu tanto a materialidade do crime quanto a autoria dos golpes por Izabelle. Apesar disso, os jurados aceitaram a tese de legítima defesa e decidiram absolvê-la.

Depois da decisão, Izabelle deixou, na sexta-feira (7), a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), unidade na qual permanecia presa.

O que diz a defesa de Izabelle

A defesa de Izabelle Freitas Lima da Silva informa que, em julgamento realizado perante o Tribunal do Júri, o Conselho de Sentença acolheu a tese de legítima defesa e absolveu a acusada.

Durante os debates em plenário, a defesa não negou que Izabelle tenha desferido os golpes registrados pelas câmeras de segurança. O ponto central apresentado aos jurados foi que as imagens divulgadas mostravam apenas o momento final do episódio, sem registrar integralmente os acontecimentos anteriores, o percurso realizado pelo casal e o contexto do relacionamento.

Segundo a tese defensiva, Izabelle vivia uma relação marcada por agressões, ameaças e controle exercido pelo companheiro. Foram apresentados aos jurados relatos de familiares que afirmaram ter presenciado episódios de violência, inclusive uma agressão ocorrida no próprio dia dos fatos.

A defesa também sustentou que a investigação concentrou-se na autoria, rapidamente esclarecida pelas imagens, sem reconstruir de forma completa os momentos que antecederam o acontecimento. Entre os pontos debatidos estiveram a ausência de imagens de todo o trajeto percorrido pelo casal e a necessidade de análise do contexto anterior à cena captada pela câmera.

O vídeo foi enfrentado diretamente pela defesa, sem tentativa de ocultação ou negação de seu conteúdo. A argumentação apresentada em plenário destacou que a gravação demonstrava a ação registrada naquele local, mas não era suficiente, isoladamente, para explicar toda a sucessão de acontecimentos que culminou no episódio.

Após a produção da prova oral, o interrogatório da acusada e os debates entre acusação e defesa, os jurados reconheceram a tese defensiva de legítima defesa.

A defesa recebe a decisão com respeito ao Tribunal do Júri, às instituições do sistema de Justiça, à vítima e a seus familiares. O resultado não representa celebração de uma morte, mas o reconhecimento, pelo órgão constitucionalmente competente, da tese jurídica e do contexto probatório apresentados durante o julgamento.

A atuação foi conduzida com responsabilidade, transparência e compromisso com o direito de defesa, preservando-se a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Defesa de Izabelle Freitas Lima da Silva: Leonardo Leitão Ferreira, Jorge Luiz Mabelini, João Guilherme Silverio dos Reis, Hamilton Tavares Junior e Leandro Bello Martins.

Destaque-o e pressione Ctrl + Enter.

Cadastre-se para comentar

Os comentários continuam visíveis para todos. Para participar da conversa, crie sua conta do Clube OS e volte para esta matéria.

Cadastro gratuito Conta pessoal para participar Entrada rápida com Google ou Facebook Retorno direto para esta matéria

Liberar área de comentários

Conta gratuita Sem pagamento nesta etapa
Criar conta para comentar
Depois de entrar, recarregue a página para liberar o formulário.

PUBLICIDADE

Todos os campos são obrigatórios.