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Polícia afirma que dona de grupo de rope jump priorizou esconder câmera após queda

Polícia Civil aponta que dona de grupo tentou ocultar câmera após queda que matou jovem em salto em Limeira

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias03/07/2026 às 16:04 03/07/2026 às 16:05

Polícia Afirma Que Dona De Grupo De Rope Jump Priorizou Esconder Câmera Após Queda
Foto: Divulgação / Policia Civil

A Polícia Civil de São Paulo afirmou haver indícios de que Evelyne dos Santos Gonçalves, dona do grupo de rope jump investigado pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, teria solicitado que instrutores escondessem a câmera que estava com a jovem no momento em que ela foi lançada sem cordas.

Segundo o inquérito policial, a investigada demonstrou preocupação com a localização da câmera usada pela vítima durante o salto. O documento indiciou Evelyne por homicídio qualificado e fraude processual. A reportagem informou que não conseguiu localizar a defesa dela, mantendo o espaço aberto para manifestação.

A câmera estava presa ao braço de Maria Eduarda para registrar a experiência do salto. De acordo com a investigação, o equipamento não foi encontrado e é considerado uma peça essencial para esclarecer a dinâmica dos fatos.

Testemunhas que estavam no local relataram à polícia que ouviram uma ordem da organizadora do evento. Segundo os depoimentos, Evelyne teria pedido a recuperação do equipamento e a exclusão do conteúdo gravado.

Para a Polícia Civil, esses relatos, somados ao desaparecimento da câmera e à desativação de um perfil ligado à atividade nas redes sociais, indicam possível tentativa de ocultar provas.

“Circunstâncias que, associadas ao desaparecimento da referida câmera e à desativação de perfil vinculado à atividade em rede social, indicam possível atuação voltada à supressão ou ocultação de elementos probatórios relevantes para a apuração dos fatos”, afirma o documento.

Minutos depois da queda de Maria Eduarda, Evelyne teria pedido a um dos instrutores que buscasse a câmera. Em depoimento, Luiz Gustavo Oliveira afirmou que a investigada demonstrou preocupação em recuperar o equipamento utilizado durante o salto. Segundo o inquérito, ela teria feito esse pedido antes mesmo de ele descer para prestar socorro à vítima.

“Ela lhe solicitou, ainda antes de sua descida para prestar socorro, que buscasse tal equipamento. Segundo ele, houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento em razão da prioridade no atendimento à vítima”, diz o inquérito.

De acordo com a investigação, Evelyne se apresentava como CEO do grupo “Entre Cordas”. Ela foi presa sete dias depois de a jovem ser arremessada durante o evento de rope jump realizado na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo.

A mulher fazia parte do núcleo responsável pela organização do evento, segundo a Polícia Civil. No inquérito, ela é descrita como integrante do “núcleo organizacional responsável pela realização do evento”.

Em depoimento, Evelyne afirmou que não atuava na parte operacional nem técnica dos saltos. Segundo ela, sua função se limitava à edição de vídeos e às publicações nas redes sociais.

A polícia também apontou que o evento ocorreu em meio a uma significativa desorganização operacional. Conforme o inquérito, havia grande número de participantes, atraso no cronograma, ausência de protocolos formais de segurança, falhas na definição das funções dos integrantes da equipe e execução acelerada dos procedimentos.

Para os investigadores, essas circunstâncias contribuíram para reduzir os mecanismos de controle e fiscalização considerados indispensáveis em uma atividade de alto risco.

O indiciamento da dona do grupo ocorreu em uma segunda investigação aberta para aprofundar a dinâmica da morte. Outros dois homens presos no caso, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, não foram indiciados.

Já os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, indiciados no primeiro inquérito, seguem presos. Agora, a polícia tenta identificar quem fez desaparecer a câmera utilizada pela vítima no momento da queda.

Relembre a morte de Maria Eduarda

Polícia Afirma Que Dona De Grupo De Rope Jump Priorizou Esconder Câmera Após Queda

Direitos autorais: Reprodução / X

Maria Eduarda caiu de uma altura aproximada de 40 metros. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou a morte no local, na trilha da Ponte do Esqueleto, conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). O caso foi registrado no 3º DP de Limeira como homicídio.

Quando os policiais militares chegaram ao local, uma enfermeira tentava reanimar a vítima. Próximo a ela estavam dois homens que se apresentaram como funcionários da empresa responsável pelos saltos na região, segundo o boletim de ocorrência.

A dupla entregou os documentos pessoais, mas, conforme o registro policial, fugiu para uma área de vegetação no momento em que um policial se afastou para prestar apoio ao resgate.

Imagens mostram a reação das pessoas logo após a queda. Um vídeo compartilhado nas redes sociais registrou o momento em que a jovem foi levada até a plataforma e lançada. Poucos segundos depois, pessoas que acompanhavam a atividade começaram a gritar ao perceber a ausência da corda de segurança.

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