Pais e filhos adolescentes: o resgate do amor



Ao olhar pela primeira vez o rostinho tão delicado do filho que acabou de nascer, mãe e pai se rendem ao sentimento mais puro que existe no mundo: o amor! Ficam deslumbrados e apreciam a todo instante aquele ser tão pequenino, tão indefeso.  

Naquele momento, com o nascimento do bebê, nasce também um novo pai e uma nova mãe. A chegada de um filho na vida de um casal é caracterizada por um período de grandes desafios. “Antes, tudo era perfeito”, o homem tinha sua amada só para ele. Porém, ao se tornar mãe, sua amada precisará dedicar atenção integral no começo da vida do seu bebê, de modo que consiga atender a ampla demanda de cuidados que este serzinho lhe exige.

Paternidade e a maternidade não vêm acompanhadas com manual de instruções, por mais que os pais se preparem, lendo diversos livros e artigos, sobre: “como ser um bom pai e uma boa mãe”, na prática, as coisas são diferentes da literatura! É comum escutarmos os pais falarem assim: “Meu mundo virou de cabeça para baixo.” Quem é pai e mãe sabe do que aqui menciono.

Para proteger uma vida tão frágil, o casal planeja e adapta sua vida toda em torno dos cuidados do bebê. A rotina é intensa e exaustiva!

Emoções ambíguas: “amo esse filho mais que tudo, mas como vou dar conta? Sinto-me exausta!”

É possível dizer que nessa ocasião, os pais atravessam emoções ambíguas. Ou seja, de um lado o amor desperta de maneira incondicional, os pais se desdobram para garantir o cuidado com a nova vida. Por outro lado, os pais lidam com incontáveis noites sem dormir, são tomados pela exaustão de suas novas atribuições. Preocupam-se com cada choro que o bebê emite. Pais e bebê, nesse início da vida, estão em processo de conhecimento mútuo. A criança, que ainda não sabe falar, estabelece sua comunicação com seus pais através do choro. Os pais, por sua vez, precisam identificar “que choro é esse”. Será que está com fome? Será que está chorando de dor? Com o tempo tudo se ajeita e os pais aprendem a reconhecer cada som que seu bebê produz, e atendem prontamente a demanda do filho.

Filho adolescente: como manter o vínculo afetivo na adolescência?

Como tudo passa nessa vida, essa fase tão difícil fica para trás, o filho cresce e, quando menos se espera, já está na fase da adolescência. Novamente, muitos pais são pegos de surpresa e se assustam por não conhecerem mais seus filhos. Antes, quando o filho era pequeno, os pais manifestavam o amor por ele de várias maneiras: ensinavam o filho a andar de bicicleta, jogavam bola, contavam suas histórias preferidas antes de dormir, passavam noites inteiras acordados, quando eles tinham febre. Sem contar que falavam incontáveis vezes: “Filho, eu te amo.” Sempre se dava o jeito de dedicar o melhor tempo para o seu filho….

A pergunta que inquieta centenas de pais: “Como se manter esse vínculo afetivo na adolescência?”

A resposta é: estabeleçam conexões com o mundo dele! Criem pontes no seu relacionamento! Basta lembrar da infância. Quando seu filho era pequeno, era você que não media esforços para arrancar sorrisos dele! VOCÊ sempre estava pronto para dar o beijo que curava, quando seu filhote se machucava. Era VOCÊ a pessoa que tinha o melhor colo do mundo, aquele que acalmava, toda vez que ele ficava triste. Na adolescência, novamente é VOCÊ que precisa ser o “pai herói ou a mãe maravilha”. Do mesmo modo é VOCÊ que precisa entrar no mundo do seu filho, e não ele no seu.

Doe tempo! Conecte-se! Escute junto do seu filho sua música preferida! Assista junto a ele o seu filme favorito! Curta a peça de teatro que sua filha participa, fique feliz por e com ela! Prestigie o campeonato de futebol que seu filho joga. Comprove o amor ao seu filho, elogiando-o, pronunciando, com sinceridade, palavras de carinho e de reconhecimento. Lembrem-se: os filhos adolescentes estão construindo sua identidade e carecem ser reconhecidos como sujeitos no mundo a quem pertencem. Educar e “orientar o voo” é necessário, porém, é tão necessário quanto, confirmar o seu amor ao seu filho adolescente.

Trate-o de maneira especial.

Valide seu amor por ele destacando a sua importância. Reconheça sua boa ação. “Obrigada, meu filho, por ter lavado o carro para mim, eu estava sem tempo”. “Obrigada, minha filha, por ter preparado essa refeição tão saborosa!” “Obrigada por ter alimentado sua irmãzinha, a sua ajuda é muito importante para mim.” Fale ao seu filho, o quanto ele é especial em sua vida. Peça a opinião dele: “Meu filho, o que você acha desse meu novo projeto de trabalho?” Convide-o para ir num lugar que gosta muito. “No final de semana vamos assistir aquela banda que você ama?”

Os adolescentes precisam de amor tanto quanto as crianças. O grande segredo é descobrir quais maneiras de manifestar seu amor. Como por exemplo, mostrar empatia num momento de frustração. “Quando quiser conversar sobre o que aconteceu, estarei aqui lhe esperando…”

Esteja realmente pronto para praticar uma escuta livre de julgamentos. Quando for conversar com seu filho, evite conflitos, não use de ameaças e nem de autoritarismos, conquiste seu filho para que ele sempre tenha interesse de conversar contigo, use frases harmônicas como estas:



“Eu me coloco no seu lugar e posso entender o que você está sentindo…”

“Eu compreendo que para você não seja fácil, mas que tal tentar por este caminho?”

“Vejo que você está muito abalado com tudo que aconteceu e precisa resolver essa situação. No entanto, na minha visão, acredito que podemos resolver tudo isso dessa forma…o que você acha?”

“Peço desculpas, reconheço que fiquei nervoso, contudo, quero que você saiba o quanto o amo.”

O amor entre pais e filhos pode ser resgatado, se houver esse cuidado com as palavras e ações. Você é responsável pelo que cativa no coração do seu filho. Então, cative amor!

É possível ter uma convivência harmoniosa entre pais e filhos adolescentes, se soubermos amar de forma incondicional.

Amor incondicional.

Amar incondicionalmente é: estar preparado para não desistir dos filhos, principalmente quando eles frustrarem nossas expectativas.

Amar incondicionalmente é: reconhecer que pais também erram e pais também pedem perdão.

Amar incondicionalmente é ter consciência que, embora os filhos adolescentes estejam “grandinhos”, eles precisam dos cuidados e da proteção dos pais. Precisam de amor até mais, do que quando, eram crianças!

Amar incondicionalmente é saber “como falar”, usando amorosidade para transformar corações.


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